Uma grande amiga minha, de 26 anos e solteira, costuma dizer:

“Quando eu tiver 30 anos já quero estar casada e com um filho a caminho, pois como quero ter vários preciso começar cedo”.

Eu já pensei assim.

Em me casei com 24 anos, no auge da minha juventude, e possivelmente no auge da minha ingenuidade, de forma que o tempo nunca me preocupou. Eu tinha tempo, muito tempo pra aproveitar a vida de casada, pra fazer o que quisesse, pra cometer todos os erros possiveis e recomeçar. Eu tinha tambem o suporte de uma pessoa ao meu lado que me ajudaria caso eu quisesse – e eu cheguei a querer – mudar todos os planos e dar uma chacoalhada na vida.

Mas como a vida não se deixa chacoalhar assim tão fácil, o plano A deu lugar ao plano “e agora?”. Sem marido, sem família e sem nenhuma idéia do que fazer, tive que começar de novo. Agora sem todo o tempo do mundo. E nao há nada, nada mesmo, que possa trazer o tempo de volta.

E eu queria muito trazer o tempo de volta. Sinto que o relógio está contra mim, que os dias estão se desfazendo e que estou envelhecendo mais rápido do que conseguirei elaborar o “Plano B”. Eu estou o tempo todo correndo contra o tempo. Eu não sei bem o porque da pressa, mas sei que ela existe. Tenho uma grande urgência de tomar decisões, de meter os pés pelas mãos logo agora pra não desperdiçar o tempo que ainda tenho. Como se o mundo fosse logo acabar e não houvesse tempo pra realizar nenhum dos sonhos que eu tinha.  

Mas o motivo que eu estou escrevendo isso é outro:

“Me dá uma outra chance”, ele me pediu.

Eu não posso. Mesmo com o tempo correndo contra mim, eu te dei bastante tempo pra querer uma chance. Mas você esperou tempo demais pra pedi-la e agora eu não tenho mais tempo de quebrar a cara contigo mais uma vez.

Nosso tempo passou.